segunda-feira, dezembro 21, 2009

Casamento gay: a prioridade nacional


Finalmente temos um Governo na República verdadeiramente competente, com sentido de oportunidade e clarividente na definição das prioridades do país! O exemplo mais acabado disso é a prioridade dada, em termos de iniciativas legislativas, ao casamento entre homossexuais. Mais: é a primeira grande medida socialista desta legislatura. Estou verdadeiramente bem impressionado com o alcance desta medida. Só um visionário como Socas seria capaz de ver as repercussões positivas que uma medida destas terá na sociedade portuguesa.


Vejamos, por exemplo, os efeitos desta extraordinária iniciativa no combate ao desemprego, que alguns consideram a prioridade das prioridades, na educação, na saúde, na justiça e na luta anti-corrupção. É claro que não é essa a nossa opinião. Na verdade, permitindo o casamento homossexual, acaba-se com o fingimento social a que estamos habituados a assistir, em que os homossexuais perante o notário ou o sacerdote declaram amor eterno a um parceiro de sexo oposto apenas para agradar à família, aos amigos e, em suma, à sociedade. As pobres crianças que resultam dessas relações falsas acabam infelizes e entregues à sua sorte, engrossando, mais tarde, as estatísticas do desemprego, do insucesso escolar, das altas problemáticas, da criminalidade e da corrupção. Com a panaceia desta proposta governamental, esses problemas sociais acabam definitivamente, porque simplesmente reduz-se drasticamente o natalidade e, em vez de desemprego, passa-se para um quadro de falta de mão-de-obra; na educação, as turmas passam para 12/13 alunos, o que potencia o sucesso educativo; na saúde, a SIDA passa praticamente para níveis residuais, uma vez que os homossexuais deixam de "mijar fora do penico"; na justiça, os tribunais e as prisões deixam de estar super lotados, porque a criminalidade diminui forçosamente com a redução da população; a ambicionada luta anti-corrupção finalmente será bem sucedida, porque, havendo menos pretendentes a comer na mesa do orçamento do Estado, diminui a procura de favores.

Em suma, esta é uma medida brilhante! Só mesmo de um governo de Socas...

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Desvendado mistério do cheque


Demorámos um pouco mais do que é habitual a actualizar este espaço de diversão séria. Esta ligeira demora justifica-se pelo facto de termos andado a investigar o que realmente aconteceu com o cheque mistério do ex-Presidente da Câmara Municipal de Santana, que foi notícia no DIÁRIO, no passado dia 8, e que pode ser consultada na edição online em http://www.dnoticias.pt/Default.aspx?file_id=dn04010101081209.
Conheça aqui os pormenores da nossa investigação.
A nossa equipa de reportagem foi primeiramente à Igreja da Sé e ouviu o pároco respectivo, que confirmou que o cheque cruzado endossado ao referido ex-autarca foi retirado da caixa de esmolas, na habitual abertura semanal da mesma. Instado a dar a sua explicação para esta esmola insólita, escudou-se no sigilo de confissão para não revelar nada, mas garantiu-nos que sabia tudo o que estava por detrás deste episódio caricato, não só porque é confessor da pessoa que lá colocou o cheque mas, sobretudo, porque tem uma boa relação com Deus, a entidade suprema que vigia os passos de todos os seres humanos, que lhe disponibilizou os dados com que forçou o "ladrão" a confessar o crime. Como nenhuma das referidas fontes lhe disse que o cheque estava endossado e cruzado, o padre da Sé revelou que deu como penitência, ao pecador, a devolução do cheque não ao Carlinhos, porque isso seria expor-se em demasia, mas à Igreja, pois só ela é que o poderia perdoar. Do resto, já se sabe: ligou para a Câmara para informar que o cheque estava na sua posse e assim recebeu uma recompensa, que já depositou na sua conta pessoal, uma vez que era uma pequena soma, logo insuficiente para ser oferenda divina.
Como não conseguimos a identificação do autor do alegado crime de roubo do cheque, na conversa com o sacerdote mencionado, decidimos ir ao gabinete do referido ex-eleito local, a fim de recolher mais informações. Ouvimos as "três ou quatro pessoas" que tinham a chave do local onde o lesado diz ter deixado a pasta. Afinal, concluímos que eram dez os funcionários que tinham acesso ao gabinete presidencial, graças a cópias que lhes foram facultadas por outros colegas, que raramente estavam lá para lhes abrir a porta, quando precisavam de levar ou retirar documentação importante para satisfazer os pedidos de favores dos amigos. O mais surpreendente desta conversa com todos os trabalhadores com livre acesso ao mencionado gabinete é que nenhum deles esteve no edifício camarário, no período de tempo do alegado desaparecimento do cheque, pois confidenciaram-nos que passaram por lá depois das 10.30 apenas para ler a imprensa diária, tendo saído para o café-almoço, por volta das 11.00. O retorno ao serviço aconteceu por volta das 15.30, depois de servido/tomado o almoço-lanche, altura em que Carlinhos já tinha abandonado as instalações camarárias.
Resolvemos, então, interrogar o próprio lesado, que confrontado com a questão de confirmar se efectivamente tinha a certeza de que o cheque estava na pasta que deixou no gabinete, começou por evidenciar algumas hesitações, acabando por "ficar mais branco do que um papel", o que nos fez concluir que havia ali caso e que Carlinhos tinha provavelmente inventado esta história do roubo.
Convictos de que esta investigação poderia ser bem sucedida, decidimos fazer uma vigilância apertada junto à referida caixa de esmolas, com o intuito de identificar santanenses que visitam habitualmente a Igreja da Sé e que lá depositam esmolas. Já algo desanimados, passada que estava uma semana de plantão à porta da Sé, fomos surpreendidos, com a entrada no templo do protagonista deste filme policial: Carlinhos. Fazia-se acompanhar de um esbelto jovem, a quem pede, em íntima cumplicidade, para introduzir o cheque na rica ranhura da dita cuja, salvo seja. No preciso momento em que ia consumar o acto, interceptámo-lo e aproximámo-nos do ex-eleito local, que apanhado de surpresa, ganguejando, reconheceu que se havia aproveitado do episódio da substituição das chaves pelo recém empossado presidente, para justificar a cena anedótica do seu cheque ter ido bater à caixa de esmolas da Sé do Funchal, pois era efectivamente sua intenção doar à Igreja os referidos 5.000 euros, em sinal de gratidão pela sua posição de não contestação ao casamento entre homossexuais, única hpótese de poder satisfazer o pedido do Cara Branca, efectuado há cerca de 8 anos numa inauguração. Carlinhos acrescentou ainda que todo este episódio rocambolesco aconteceu porque houve uma troca de cheques, aquando da primeira tentativa, pois os valores coincidiam.
Resta saber se Sócrates será ainda mais generoso para com a Igreja...

terça-feira, novembro 24, 2009

Docentes na RAM eternamente congelados


O último número do semanário Tribuna da Madeira - http://pt.calameo.com/read/000027899355402abe45b -, nas páginas 24 e 25, revela que, finalmente, foi encontrada uma solução para a progressão na carreira dos docentes que exercem funções na RAM: ficam eternamente congelados! É exactamente assim, não há aqui qualquer carga negativa nesta expressão, antes pelo contrário. O congelamento do corpo é uma técnica usada pelo transhumanismo para prolongar a vida até ao infinito, para "enganar a morte". Trata-se da criopreservação ou "cryonics". Para mais informações sobre esta inteligente e cara forma de "fintar" o envelhecimento, consultar http://transhumanista.no.sapo.pt/vida.htm.

No projecto governamental, segundo as palavras do deputado socialista desmancha-prazeres, André Escórcio, na referida reportagem, o congelamento está dependente da disponibilidade de tesouraria do Governo Regional, o que o leva a considerar esta proposta como «pouco séria». Compreende-se a preocupação do referido parlamentar, não tanto por uma questão de coerência com a defesa que sempre fez da matriz do "ECD do ME", daí o rótulo de colonialista que a bancada da maioria lhe aplicou, mas, sobretudo, porque pode ser uma medida discriminatória, já que não garante o acesso, em igualdade de tratamento, ao congelamento a todos os professores e educadores. Para além disso, esta solução não se compagina com a recuperação da contagem do tempo de serviço "congelado", que foi uma das suas bandeiras na ALRAM, já que isso, em vez de evitar o envelhecimento, teria um efeito contrário, ou seja, aproximá-lo-ia.

Numa lógica de previsível grande procura por parte dos docentes pela modalidade mais cara de congelamento (todo o corpo), a existência de um procedimento administrativo, entre o 5.º e o 6.º escalão, é uma medida feliz, pois os professores e educadores não são todos iguais: os bons merecem o congelamento total do corpo para servirem de exemplo às gerações vindouras e os maus apenas da cabeça, para se libertarem dos "atrapalhos" físicos que os impediram de ter sucesso...

Perante tanta generosidade governamental, os sindicatos aplaudem a solução encontrada, segundo o que se pode concluir das declarações proferidas pelos seus principais representantes, na reportagem mencionada, havendo apenas lamentos quanto à demora na sua aplicação. Previsivelmente, o SDP-1 e o SDP-2 não terão mãos a medir, nos próximos tempos, dada a previsível afluência de docentes para se sindicalizarem...

terça-feira, novembro 17, 2009

Adaptação do Sermão Anti-Corrupção


O Pe. António Vieira, no Sermão de Santo António aos Peixes, pregado na cidade de S. Luís do Maranhão, em 1654, abordou a questão da corrupção, um tema sempre actual como o comprovam, entre outros, os casos polémicos Freeport e Face Oculta, só para referir os mais recentes. Fazendo ligeiras adaptações ao primeiro parágrafo, que podem ser confrontadas com o documento original (dentro de parêntesis), obtemos o seguinte texto:


Vos estis sal terrae (Mateus, 5)


Vós, diz o Código Penal (Cristo Senhor) nosso, referindo-se aos juízes (falando com os Pregadores), sois o sal da terra: e chama-lhe sal da terra, porque quer que façam na terra, o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção, mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os Juízes (Pregadores) não fazem cumprir a lei (pregam a verdadeira doutrina); ou porque a terra não se deixa salgar, e os criminosos (ouvintes), sendo verdadeira a sentença (doutrina) que lhe dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os Juízes (Pregadores) dizem uma coisa e fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os criminosos (ouvintes) querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem. Ou é porque o sal não salga, e os Juízes (Pregadores) julgam por si e não pelo Código Penal (pregam a si e não a Cristo); ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Justiça (Cristo), servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal.


Aqui está o mote para um bom discurso do Presidente da República, se é que ainda tem autoridade moral e política, depois do triste episódio das alegadas escutas...

sábado, novembro 07, 2009

Aventura ou milagre das rosas no ME



Estamos órfãos. O novo Governo da República não inclui a ministra da Educação mais amada de sempre pela classe docente. Refiro-me à simpática, sempre bem disposta e sedutora Gioconda Ludrinhas. Que ingratidão de José Sócrates por não a reconduzir! Lá que podemos passar bem sem ela, é um facto, mas, como diz o slogan, não é a mesma coisa...


A Educação fica, agora, sob a alçada da escritora infanto-juvenil Isabel, mais conhecida da opinião pública do que a sua antecessora, graças à colecção «Uma Aventura», da qual é co-autora. Na 5 de Outubro, inicia uma nova obra, Uma Aventura no Governo. Será o livro 51 da referida colectânea de ficção. Em tempo de governantes ficcionistas à frente desta pasta, convenhamos que a aventureira referida leva uma vantagem significativa em relação ao Chico Esperto madeirense, que se fez escritor apenas quando assumiu a pasta, pois aprendeu a ficcionar em torno dos problemas educativos, como via alternativa à sua resolução...


A classe docente espera tudo menos aventureirismo da actual equipa ministerial, mas são muitas as alusões a este vocábulo, pois até o Secretário Adjunto da Educação, Alexandre Ventura, possui essa silueta no próprio nome. Coincidências. Não mais do que isso, espera-se. Mas o outro membro da equipa ministerial - o Secretário da Educação - apresenta-se com o apelido Mata, sugestão mais do que óbvia para um excelente espaço para se escrever uma aventura misteriosa. Mas é mesmo de pequena floresta que se trata ou será outro o significado: matar as esperanças da classe docente? Seja qual for o significado, dará seguramente uma ficção magnífica!


Para que esta equipa ministerial, aparentemente fadada para produzir a melhor aventura da referida colecção, consiga surpreender os professores e educadores tem de operar um autêntico milagre na Educação, qual Milagre das Rosas, em que a ministra Isabel, ao tentar ajudar a classe docente, seja surpreendida em flagrante pelo engenhoso Sócrates e o ECD e o modelo de avaliação de desempenho docente se transformem em rosas...


terça-feira, outubro 27, 2009

A polémica do Ca(n)im


Ainda não chegou o S. Martinho - data assinalada para provar o vinho novo - e já é grande a polémica em torno da colheita mais recente de José Saramago. Referimo-nos ao inebriante e polémico Ca(n)im, o divinal néctar que exorbita paixões, fundamentalismos e intolerâncias que julgávamos já ultrapassados, sobretudo, desde que foram colocadas no mercado as reservas O Memorial do Convento e O Evangelho Segundo Jesus Cristo do referido produtor. Ainda bem! Os excessos de linguagem e fanatismo sempre contribuem para a animação do panorama cultural português e para o debate dos temas religiosos, inquestionáveis à luz da fé cristã. Só um bom Cunningham (Canim) é capaz de tamanha façanha, a sua aparência de "pomada" leve, clara, quase transparente, faz com que os desprevenidos não se apercebam da energia nele contida.

Como consequência, assistimos a hilariantes comentários de insuspeitas autoridades na matéria, que confessam que ainda não o provaram, mas já o classificam negativamente... Foi o caso do eurodeputado do PSD, Mário David, que exortou Saramago a renunciar à nacionalidade portuguesa, por alegadamente ter ofendido a cultura portuguesa com declarações contundentes acerca da Bíblia, classificada como «um manual de maus costumes». Imaginem o que diria o referido parlamentar, se tivesse consumido o referido néctar na totalidade... Provavelmente, mandá-lo-ia para a fogueira, como nos tristes e horrorosos tempos da Inquisição. Somos um povo que não considera devidamente os seus génios: deixámos Camões, Bocage e Almeida Garrett na miséria, por exemplo. A Saramago está reservado outro fim, porque, felizmente, os seus créditos são reconhecidos internacionalmente. Caso contrário, os Cains deste país encarregar-se-iam de o eliminar, qual Abel mal amado... E não seria pela disputa da única mulher e mãe então sobre a face da terra - Eva...

Nada melhor do que provarmos um pouco do polémico Ca(n)im, para nos animarmos e esquecer os disparates da intolerância nacional. Vejamos o seguinte excerto:


«Além disso, convém lembrar que adão viveu até aos novecentos e trinta anos, pouco lhe faltando, portanto, para morrer afogado no dilúvio universal, pois finou-se em dias da vida de lamec, o pai de noé, futuro construtor da arca. Logo, teve tempo e vagar para fazer os filhos que fez e muitos mais se estivesse para aí virado. Como já dissemos, o segundo, o que viria depois de caim, foi abel, um moço aloirado, de boa figura, que, depois de ter sido objecto das melhores provas de estima do senhor, acabou da pior forma.» (Pág. 16).


terça-feira, outubro 13, 2009

A F(r)actura


Que chatice! Voltámos à pasmaceira, àquela aparente normalidade pós-eleitoral, em que nada de especialmente divertido acontece. Ai que saudades vou ter deste ciclo eleitoral interminável com três votações (ou terão sido quatro?!...), precedidas de grandes espectáculos circenses, touradas e boxe nas inaugurações! Pode ser que a eleição do Gil Canhão Anti-Corrupção nos garanta mais alguns momentos hilariantes com a detonação de explosivos nos gabinetes da "rataria" da Central de Favores...

O rescaldo ao último acto eleitoral também é capaz de nos entreter um pouco. Aguarda-se, por exemplo, pelo Post-Scriptum do Cara Branca no seu pasquim, onde previsivelmente vai apresentar outra f(r)actura, desta feita ao seu Chico Esperto, por ter ido para a televisão em vésperas de eleições (8/10) anunciar que tinha proposto ao Governo da República a equiparação ao Concurso a Professor Titular da prova madeirense de acesso ao 6.º escalão (http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=15790&idpod=30488&formato=wmv&pag=recentes&escolha), o que terá desencadeado uma fuga para as suas terras de origem dos docentes continentais a exercer funções na RAM. O DIÁRIO de hoje fala em mais de 2.000 fugitivos, situação previsível, atendendo a que haviam saído de lá, precisamente, por não concordarem com essa divisão entre Professores e Professores Titulares. Como esse problema vai ser resolvido no espaço nacional, se os partidos da oposição - maioritários na Assembleia da República - cumprirem com o que prometeram na campanha eleitoral, não poderiam ficar na Madeira a assistir a declarações como a do Chico Esperto, já que poderiam correr o risco de ser Titulares à força... Urra! Cruzes! Credo!

Interessante será também vermos como vai a Amarela Azeda reagir a estas questões da f(r)actura, agora que já pode exprimir-se publicamente sobre estas matérias, uma vez que já não estamos em vésperas de eleições...