domingo, dezembro 27, 2009

Prémio Parodiantes 2009


Vamos atribuir o Prémio Parodiantes 2009 às personalidades públicas que mais nos divertiram neste ano, nas categorias Política, Desporto, Letras, Sociedade e Blogosfera, no plano regional.
Prémio Parodiante na Política Madeirense 2009

VICTOR FREITAS - A atribuição deste prémio ao ex-líder parlamentar e candidato a Presidente do PS-M justifica-se pela divertida argumentação que tem apresentado para derrotar o seu adversário interno à liderança dos socialistas madeirenses. Dizer que vai inverter a tendência decrescente que o seu partido vem revelando desde 2007, demarcando-se desses resultados como se não tivesse responsabilidade pelos mesmos, faz-nos rir perante tamanha demagogia saloia. Se acrescentarmos a essa anedota o hilariante episódio dos "cidadões", que teve direito a figurar no YouTube (cf. http://www.youtube.com/watch?v=XQaJM4jMw1g), então ficamos convictos de que este prémio é mais que merecido pela referido parodiante.

Prémio Parodiante no Desporto Madeirense 2009

RUI ALVES - Apesar do sucesso desportivo que, inegavelmente, tem ajudado o seu clube a alcançar, o presidente da Direcção do CD Nacional tem sido um cromo divertido para o pessoal e não é só pelo anúncio da sua candidatura a líder do Governo Regional da Madeira, daqui a dez anos, mas sobretudo pela imposição das rapidinhas às equipas de reportagem televisiva, que redundaram na ausência de imagens nas televisões dos jogos caseiros do seu clube. Isto é que é promoção clubística e turística da RAM!...

Prémio Parodiante nas Letras Madeirenses 2009

EMANUEL JANES - Sem sequer entrar na discussão em torno da questão se os historiadores são escritores, a publicação da vida e obra (em betão) do falecido empresário da Madeira Nova, José Avelinho Pinto, com foto do autor na companhia de um membro da referida família, em plena Praça do Município, fez rir muita gente. Em primeiro lugar, por terem ficado com a imagem de que Emanuel Janes, depois da profunda pesquisa efectuada, ficou a conhecer bem o Pinto camaralobense... Em segundo, pelo facto da sessão pública não ter ocorrido no Concelho onde mais se destacou o mencionado empreiteiro, o que fez com que muitos considerassem que foi para que AJJ não tivesse que se ausentar por muito tempo da Sessão de Discussão do Orçamento da RAM para assistir ao lançamento do livro, se bem que alguns a considerassem justa, pois são muitos os membros desta edilidade que devem favores especiais a José Avelinho Pinto.

Prémio Parodiante na Sociedade Madeirense 2009

RUI MASSENA - Ninguém questiona a qualidade do principal rosto da Orquestra Clássica da Madeira. O que o tornou num parodiante social de grande nível foi o facto de apostar numa imagem de irreverência, mas não permite que outros a cultivem também como se verificou no caso dos cartazes alegadamente ofensivos à integridade moral e aos bons costumes das nossas crianças, que foram usados para promover um espectáculo de teatro no Centro de Congressos da Madeira. Causou perplexidade essa denúncia pública, não porque se achasse que o artista tinha razão, mas porque começaram a imaginar que o velho Catão tinha renascido, transfigurando-se no referido maestro... Outros simplesmente lembraram-se do episódio da recusa da referida sala de espectáculos para a realização do Congresso do SPM, por imposição do referido moralista, o que os faz deduzir que Massena pretende, ao fim e ao cabo, ser dono e senhor do referido espaço, porque acha que ser espigado é sinal de ser maior do que os outros...

Prémio Parodiante na Blogosfera Madeirense 2009

AGOSTINHO SOARES (
http://podeserliberdade.blogspot.com/) - É óbvio que o ainda Secretário-Geral do PS-M tem toda a liberdade para fazer o que bem entender com o seu blogue, inclusive deixar de o actualizar. Só que isso é uma grande pena e perda para todos os bloguistas, se ele nos pôr eternamente de castigo, a ler as percentagens obtidos pelo seu partido, nas últimas Europeias... Sempre podia retomar a literatura, em especial a poesia, já que não quer abordar conteúdos de natureza político-partidária. Se não é por nenhuma destas razões, publique, então, um derradeiro post com a palavra FIM e liberte-nos da queda percentual do PS-M, seja ela real ou fictícia. Isso já não tem piada e não interessa a ninguém! É passado. Para a frente é o caminho, de preferência em liberdade... porque quedas todos damos.






segunda-feira, dezembro 21, 2009

Casamento gay: a prioridade nacional


Finalmente temos um Governo na República verdadeiramente competente, com sentido de oportunidade e clarividente na definição das prioridades do país! O exemplo mais acabado disso é a prioridade dada, em termos de iniciativas legislativas, ao casamento entre homossexuais. Mais: é a primeira grande medida socialista desta legislatura. Estou verdadeiramente bem impressionado com o alcance desta medida. Só um visionário como Socas seria capaz de ver as repercussões positivas que uma medida destas terá na sociedade portuguesa.


Vejamos, por exemplo, os efeitos desta extraordinária iniciativa no combate ao desemprego, que alguns consideram a prioridade das prioridades, na educação, na saúde, na justiça e na luta anti-corrupção. É claro que não é essa a nossa opinião. Na verdade, permitindo o casamento homossexual, acaba-se com o fingimento social a que estamos habituados a assistir, em que os homossexuais perante o notário ou o sacerdote declaram amor eterno a um parceiro de sexo oposto apenas para agradar à família, aos amigos e, em suma, à sociedade. As pobres crianças que resultam dessas relações falsas acabam infelizes e entregues à sua sorte, engrossando, mais tarde, as estatísticas do desemprego, do insucesso escolar, das altas problemáticas, da criminalidade e da corrupção. Com a panaceia desta proposta governamental, esses problemas sociais acabam definitivamente, porque simplesmente reduz-se drasticamente o natalidade e, em vez de desemprego, passa-se para um quadro de falta de mão-de-obra; na educação, as turmas passam para 12/13 alunos, o que potencia o sucesso educativo; na saúde, a SIDA passa praticamente para níveis residuais, uma vez que os homossexuais deixam de "mijar fora do penico"; na justiça, os tribunais e as prisões deixam de estar super lotados, porque a criminalidade diminui forçosamente com a redução da população; a ambicionada luta anti-corrupção finalmente será bem sucedida, porque, havendo menos pretendentes a comer na mesa do orçamento do Estado, diminui a procura de favores.

Em suma, esta é uma medida brilhante! Só mesmo de um governo de Socas...

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Desvendado mistério do cheque


Demorámos um pouco mais do que é habitual a actualizar este espaço de diversão séria. Esta ligeira demora justifica-se pelo facto de termos andado a investigar o que realmente aconteceu com o cheque mistério do ex-Presidente da Câmara Municipal de Santana, que foi notícia no DIÁRIO, no passado dia 8, e que pode ser consultada na edição online em http://www.dnoticias.pt/Default.aspx?file_id=dn04010101081209.
Conheça aqui os pormenores da nossa investigação.
A nossa equipa de reportagem foi primeiramente à Igreja da Sé e ouviu o pároco respectivo, que confirmou que o cheque cruzado endossado ao referido ex-autarca foi retirado da caixa de esmolas, na habitual abertura semanal da mesma. Instado a dar a sua explicação para esta esmola insólita, escudou-se no sigilo de confissão para não revelar nada, mas garantiu-nos que sabia tudo o que estava por detrás deste episódio caricato, não só porque é confessor da pessoa que lá colocou o cheque mas, sobretudo, porque tem uma boa relação com Deus, a entidade suprema que vigia os passos de todos os seres humanos, que lhe disponibilizou os dados com que forçou o "ladrão" a confessar o crime. Como nenhuma das referidas fontes lhe disse que o cheque estava endossado e cruzado, o padre da Sé revelou que deu como penitência, ao pecador, a devolução do cheque não ao Carlinhos, porque isso seria expor-se em demasia, mas à Igreja, pois só ela é que o poderia perdoar. Do resto, já se sabe: ligou para a Câmara para informar que o cheque estava na sua posse e assim recebeu uma recompensa, que já depositou na sua conta pessoal, uma vez que era uma pequena soma, logo insuficiente para ser oferenda divina.
Como não conseguimos a identificação do autor do alegado crime de roubo do cheque, na conversa com o sacerdote mencionado, decidimos ir ao gabinete do referido ex-eleito local, a fim de recolher mais informações. Ouvimos as "três ou quatro pessoas" que tinham a chave do local onde o lesado diz ter deixado a pasta. Afinal, concluímos que eram dez os funcionários que tinham acesso ao gabinete presidencial, graças a cópias que lhes foram facultadas por outros colegas, que raramente estavam lá para lhes abrir a porta, quando precisavam de levar ou retirar documentação importante para satisfazer os pedidos de favores dos amigos. O mais surpreendente desta conversa com todos os trabalhadores com livre acesso ao mencionado gabinete é que nenhum deles esteve no edifício camarário, no período de tempo do alegado desaparecimento do cheque, pois confidenciaram-nos que passaram por lá depois das 10.30 apenas para ler a imprensa diária, tendo saído para o café-almoço, por volta das 11.00. O retorno ao serviço aconteceu por volta das 15.30, depois de servido/tomado o almoço-lanche, altura em que Carlinhos já tinha abandonado as instalações camarárias.
Resolvemos, então, interrogar o próprio lesado, que confrontado com a questão de confirmar se efectivamente tinha a certeza de que o cheque estava na pasta que deixou no gabinete, começou por evidenciar algumas hesitações, acabando por "ficar mais branco do que um papel", o que nos fez concluir que havia ali caso e que Carlinhos tinha provavelmente inventado esta história do roubo.
Convictos de que esta investigação poderia ser bem sucedida, decidimos fazer uma vigilância apertada junto à referida caixa de esmolas, com o intuito de identificar santanenses que visitam habitualmente a Igreja da Sé e que lá depositam esmolas. Já algo desanimados, passada que estava uma semana de plantão à porta da Sé, fomos surpreendidos, com a entrada no templo do protagonista deste filme policial: Carlinhos. Fazia-se acompanhar de um esbelto jovem, a quem pede, em íntima cumplicidade, para introduzir o cheque na rica ranhura da dita cuja, salvo seja. No preciso momento em que ia consumar o acto, interceptámo-lo e aproximámo-nos do ex-eleito local, que apanhado de surpresa, ganguejando, reconheceu que se havia aproveitado do episódio da substituição das chaves pelo recém empossado presidente, para justificar a cena anedótica do seu cheque ter ido bater à caixa de esmolas da Sé do Funchal, pois era efectivamente sua intenção doar à Igreja os referidos 5.000 euros, em sinal de gratidão pela sua posição de não contestação ao casamento entre homossexuais, única hpótese de poder satisfazer o pedido do Cara Branca, efectuado há cerca de 8 anos numa inauguração. Carlinhos acrescentou ainda que todo este episódio rocambolesco aconteceu porque houve uma troca de cheques, aquando da primeira tentativa, pois os valores coincidiam.
Resta saber se Sócrates será ainda mais generoso para com a Igreja...

terça-feira, novembro 24, 2009

Docentes na RAM eternamente congelados


O último número do semanário Tribuna da Madeira - http://pt.calameo.com/read/000027899355402abe45b -, nas páginas 24 e 25, revela que, finalmente, foi encontrada uma solução para a progressão na carreira dos docentes que exercem funções na RAM: ficam eternamente congelados! É exactamente assim, não há aqui qualquer carga negativa nesta expressão, antes pelo contrário. O congelamento do corpo é uma técnica usada pelo transhumanismo para prolongar a vida até ao infinito, para "enganar a morte". Trata-se da criopreservação ou "cryonics". Para mais informações sobre esta inteligente e cara forma de "fintar" o envelhecimento, consultar http://transhumanista.no.sapo.pt/vida.htm.

No projecto governamental, segundo as palavras do deputado socialista desmancha-prazeres, André Escórcio, na referida reportagem, o congelamento está dependente da disponibilidade de tesouraria do Governo Regional, o que o leva a considerar esta proposta como «pouco séria». Compreende-se a preocupação do referido parlamentar, não tanto por uma questão de coerência com a defesa que sempre fez da matriz do "ECD do ME", daí o rótulo de colonialista que a bancada da maioria lhe aplicou, mas, sobretudo, porque pode ser uma medida discriminatória, já que não garante o acesso, em igualdade de tratamento, ao congelamento a todos os professores e educadores. Para além disso, esta solução não se compagina com a recuperação da contagem do tempo de serviço "congelado", que foi uma das suas bandeiras na ALRAM, já que isso, em vez de evitar o envelhecimento, teria um efeito contrário, ou seja, aproximá-lo-ia.

Numa lógica de previsível grande procura por parte dos docentes pela modalidade mais cara de congelamento (todo o corpo), a existência de um procedimento administrativo, entre o 5.º e o 6.º escalão, é uma medida feliz, pois os professores e educadores não são todos iguais: os bons merecem o congelamento total do corpo para servirem de exemplo às gerações vindouras e os maus apenas da cabeça, para se libertarem dos "atrapalhos" físicos que os impediram de ter sucesso...

Perante tanta generosidade governamental, os sindicatos aplaudem a solução encontrada, segundo o que se pode concluir das declarações proferidas pelos seus principais representantes, na reportagem mencionada, havendo apenas lamentos quanto à demora na sua aplicação. Previsivelmente, o SDP-1 e o SDP-2 não terão mãos a medir, nos próximos tempos, dada a previsível afluência de docentes para se sindicalizarem...

terça-feira, novembro 17, 2009

Adaptação do Sermão Anti-Corrupção


O Pe. António Vieira, no Sermão de Santo António aos Peixes, pregado na cidade de S. Luís do Maranhão, em 1654, abordou a questão da corrupção, um tema sempre actual como o comprovam, entre outros, os casos polémicos Freeport e Face Oculta, só para referir os mais recentes. Fazendo ligeiras adaptações ao primeiro parágrafo, que podem ser confrontadas com o documento original (dentro de parêntesis), obtemos o seguinte texto:


Vos estis sal terrae (Mateus, 5)


Vós, diz o Código Penal (Cristo Senhor) nosso, referindo-se aos juízes (falando com os Pregadores), sois o sal da terra: e chama-lhe sal da terra, porque quer que façam na terra, o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção, mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os Juízes (Pregadores) não fazem cumprir a lei (pregam a verdadeira doutrina); ou porque a terra não se deixa salgar, e os criminosos (ouvintes), sendo verdadeira a sentença (doutrina) que lhe dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os Juízes (Pregadores) dizem uma coisa e fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os criminosos (ouvintes) querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem. Ou é porque o sal não salga, e os Juízes (Pregadores) julgam por si e não pelo Código Penal (pregam a si e não a Cristo); ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Justiça (Cristo), servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal.


Aqui está o mote para um bom discurso do Presidente da República, se é que ainda tem autoridade moral e política, depois do triste episódio das alegadas escutas...

sábado, novembro 07, 2009

Aventura ou milagre das rosas no ME



Estamos órfãos. O novo Governo da República não inclui a ministra da Educação mais amada de sempre pela classe docente. Refiro-me à simpática, sempre bem disposta e sedutora Gioconda Ludrinhas. Que ingratidão de José Sócrates por não a reconduzir! Lá que podemos passar bem sem ela, é um facto, mas, como diz o slogan, não é a mesma coisa...


A Educação fica, agora, sob a alçada da escritora infanto-juvenil Isabel, mais conhecida da opinião pública do que a sua antecessora, graças à colecção «Uma Aventura», da qual é co-autora. Na 5 de Outubro, inicia uma nova obra, Uma Aventura no Governo. Será o livro 51 da referida colectânea de ficção. Em tempo de governantes ficcionistas à frente desta pasta, convenhamos que a aventureira referida leva uma vantagem significativa em relação ao Chico Esperto madeirense, que se fez escritor apenas quando assumiu a pasta, pois aprendeu a ficcionar em torno dos problemas educativos, como via alternativa à sua resolução...


A classe docente espera tudo menos aventureirismo da actual equipa ministerial, mas são muitas as alusões a este vocábulo, pois até o Secretário Adjunto da Educação, Alexandre Ventura, possui essa silueta no próprio nome. Coincidências. Não mais do que isso, espera-se. Mas o outro membro da equipa ministerial - o Secretário da Educação - apresenta-se com o apelido Mata, sugestão mais do que óbvia para um excelente espaço para se escrever uma aventura misteriosa. Mas é mesmo de pequena floresta que se trata ou será outro o significado: matar as esperanças da classe docente? Seja qual for o significado, dará seguramente uma ficção magnífica!


Para que esta equipa ministerial, aparentemente fadada para produzir a melhor aventura da referida colecção, consiga surpreender os professores e educadores tem de operar um autêntico milagre na Educação, qual Milagre das Rosas, em que a ministra Isabel, ao tentar ajudar a classe docente, seja surpreendida em flagrante pelo engenhoso Sócrates e o ECD e o modelo de avaliação de desempenho docente se transformem em rosas...


terça-feira, outubro 27, 2009

A polémica do Ca(n)im


Ainda não chegou o S. Martinho - data assinalada para provar o vinho novo - e já é grande a polémica em torno da colheita mais recente de José Saramago. Referimo-nos ao inebriante e polémico Ca(n)im, o divinal néctar que exorbita paixões, fundamentalismos e intolerâncias que julgávamos já ultrapassados, sobretudo, desde que foram colocadas no mercado as reservas O Memorial do Convento e O Evangelho Segundo Jesus Cristo do referido produtor. Ainda bem! Os excessos de linguagem e fanatismo sempre contribuem para a animação do panorama cultural português e para o debate dos temas religiosos, inquestionáveis à luz da fé cristã. Só um bom Cunningham (Canim) é capaz de tamanha façanha, a sua aparência de "pomada" leve, clara, quase transparente, faz com que os desprevenidos não se apercebam da energia nele contida.

Como consequência, assistimos a hilariantes comentários de insuspeitas autoridades na matéria, que confessam que ainda não o provaram, mas já o classificam negativamente... Foi o caso do eurodeputado do PSD, Mário David, que exortou Saramago a renunciar à nacionalidade portuguesa, por alegadamente ter ofendido a cultura portuguesa com declarações contundentes acerca da Bíblia, classificada como «um manual de maus costumes». Imaginem o que diria o referido parlamentar, se tivesse consumido o referido néctar na totalidade... Provavelmente, mandá-lo-ia para a fogueira, como nos tristes e horrorosos tempos da Inquisição. Somos um povo que não considera devidamente os seus génios: deixámos Camões, Bocage e Almeida Garrett na miséria, por exemplo. A Saramago está reservado outro fim, porque, felizmente, os seus créditos são reconhecidos internacionalmente. Caso contrário, os Cains deste país encarregar-se-iam de o eliminar, qual Abel mal amado... E não seria pela disputa da única mulher e mãe então sobre a face da terra - Eva...

Nada melhor do que provarmos um pouco do polémico Ca(n)im, para nos animarmos e esquecer os disparates da intolerância nacional. Vejamos o seguinte excerto:


«Além disso, convém lembrar que adão viveu até aos novecentos e trinta anos, pouco lhe faltando, portanto, para morrer afogado no dilúvio universal, pois finou-se em dias da vida de lamec, o pai de noé, futuro construtor da arca. Logo, teve tempo e vagar para fazer os filhos que fez e muitos mais se estivesse para aí virado. Como já dissemos, o segundo, o que viria depois de caim, foi abel, um moço aloirado, de boa figura, que, depois de ter sido objecto das melhores provas de estima do senhor, acabou da pior forma.» (Pág. 16).


terça-feira, outubro 13, 2009

A F(r)actura


Que chatice! Voltámos à pasmaceira, àquela aparente normalidade pós-eleitoral, em que nada de especialmente divertido acontece. Ai que saudades vou ter deste ciclo eleitoral interminável com três votações (ou terão sido quatro?!...), precedidas de grandes espectáculos circenses, touradas e boxe nas inaugurações! Pode ser que a eleição do Gil Canhão Anti-Corrupção nos garanta mais alguns momentos hilariantes com a detonação de explosivos nos gabinetes da "rataria" da Central de Favores...

O rescaldo ao último acto eleitoral também é capaz de nos entreter um pouco. Aguarda-se, por exemplo, pelo Post-Scriptum do Cara Branca no seu pasquim, onde previsivelmente vai apresentar outra f(r)actura, desta feita ao seu Chico Esperto, por ter ido para a televisão em vésperas de eleições (8/10) anunciar que tinha proposto ao Governo da República a equiparação ao Concurso a Professor Titular da prova madeirense de acesso ao 6.º escalão (http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=15790&idpod=30488&formato=wmv&pag=recentes&escolha), o que terá desencadeado uma fuga para as suas terras de origem dos docentes continentais a exercer funções na RAM. O DIÁRIO de hoje fala em mais de 2.000 fugitivos, situação previsível, atendendo a que haviam saído de lá, precisamente, por não concordarem com essa divisão entre Professores e Professores Titulares. Como esse problema vai ser resolvido no espaço nacional, se os partidos da oposição - maioritários na Assembleia da República - cumprirem com o que prometeram na campanha eleitoral, não poderiam ficar na Madeira a assistir a declarações como a do Chico Esperto, já que poderiam correr o risco de ser Titulares à força... Urra! Cruzes! Credo!

Interessante será também vermos como vai a Amarela Azeda reagir a estas questões da f(r)actura, agora que já pode exprimir-se publicamente sobre estas matérias, uma vez que já não estamos em vésperas de eleições...

terça-feira, setembro 29, 2009

A(s) Dama(s) do Presidente


O sr. Presidente do Governo Regional da Madeira, dr. Alberto João Jardim, continua a divertir a malta como poucos políticos portugueses. O pessoal diverte-se, mas não sabe se ele está a dizer a verdade ou se, simplesmente, nos está a dar música.

Hoje, no Jornal da Madeira, mais precisamente no final do seu artigo de opinião - http://www.jornaldamadeira.pt/not2008.php?Seccao=12&id=134563&data=2009-09-29 - no postscriptum 2, refere-se à Coordenadora do SPM, a professora Marília Azevedo, como sendo simplesmente uma D. e uma Dama, a quem recomenda que «não se esqueça de quem a ajudou a ganhar o dito Sindicato!».

Esta forma de tratamento é engraçada, porque encaixa perfeitamente no léxico do jogo de damas, na tal arte de pôr e dispor no tabuleiro as pedras conforme a conveniência do jogador. Daí o emprego da locução temporal «por enquanto», quando se refere ao cargo que Marília Azevedo exerce no SPM, identificado como «presidente de um dos Sindicatos de Professores». O tom de brincadeira está lá bem patente nesta linguagem, já que insinua que ele também vota nas eleições para os corpos gerentes das D. e das damas... Isto faz-nos rir às gargalhadas! O homem é, de facto, um grande humorista!

Esta anedota de que Marília Azevedo foi ajudada por ele nas eleições do SPM só nos faz lembrar os receios que ela manifestou durante a campanha eleitoral interna quanto aos perigos de partidarização do maior sindicato de professores da RAM. Só mesmo num contexto humorístico, portanto, é que podemos aceitar estas revelações de ingerência de entidades exteriores no referido acto eleitoral.

Como não se joga damas apenas com uma pedra, ficamos à espera da revelação dos nomes de outras delas por parte do sr. Presidente, designadamente em relação à Madame e à Dama-de-Honor. Quando tal acontecer, será gargalhada geral!

terça-feira, setembro 22, 2009

O meu voto nas Legislativas 2009


Como português, cidadão responsável e professor, no próximo dia 27, voto PS, porque sou masoquista, logo preciso de governos e ministras como Maria Lurdes Rodrigues, que me ponham a contar os anos que faltam para a aposentação. Para além disso, não há como um Pinócrates para nos entreter no exercício de tentar adivinhar se o que ele diz é de acreditar ou não...
Também vou votar no PSD, porque tenho a memória curta, já não me lembro do desempenho de Manuela Ferreira Leite enquanto ministra da Educação e das Finanças. Eu até já não me lembro da cara de trovões com que ela aparecia em público, até ao arranque da presente campanha eleitoral. Como se isso não bastasse, os docentes têm garantias de recuperação do tempo de serviço "congelado", porque essa matéria não consta do manifesto eleitoral, o que significa, segundo a explicação da referida líder, que não vai mexer nessa situação, ou seja, fica como está...
Voto no CDS-PP, porque concordo com a avaliação externa do desempenho docente, já que é a única maneira de acabar com o clima de desconfiança e de mal-estar que a avaliação interna está a causar nas escolas.
Voto igualmente no BE, porque será a bengalinha que o PS precisa para governar.
Voto ainda no MPT, porque sei que também poderá ser útil à maioria parlamentar social-democrata, em caso de vitória nestas eleições, pois integrou a bancada do PSD na Assembleia da República na legislatura que agora termina.
Voto, por fim, no PND, porque nada melhor para o eleitor do que votar num partido que, ideologicamente, tanto é de esquerda como de direita.
Não voto, seguramente, na CDU, porque sou um anti-comunista primário, logo temo que Isabel Cardoso, ao ser eleita para a Assembleia da República, deixe de comer criancinhas ao pequeno almoço, nas escolas da RAM. Como se isso não bastasse, temo que a referida cabeça-de-lista, uma vez eleita, deixe de defender os professores e educadores para dar uma ajudinha ao Governo da República como é apanágio desta força partidária.
E ainda dizem que o voto é secreto...

segunda-feira, setembro 07, 2009

A rapidinha do Alves-Negro


Há umas criaturas que gostam de animar a malta com as suas originalidades inimagináveis. É o caso do Alves-Negro, quando autoriza apenas três minutos de captura de imagens às estações de televisão, nos jogos da Liga Portuguesa que se realizem no Estádio da Madeira.

Trata-se da rapidinha mais falada nos últimos tempos. Há quem a apelide de "Rapidinha à Fugitivo". Na verdade, só um operador de câmara genial e com muito potencial é que consegue fazer o referido servicinho em tão pouco tempo, sem deixar de filmar todas as bolas que entrem no tal sítio com redes... A eles é exigido ainda outra faculdade: capacidade de adivinhação do momento exacto da consumação do pazer supremo dos goleadores por forma a virem de lá para os estúdios com os momentos apoteóticos - se os houver - gravados.

Decorrem, entretanto, obras nas instalações reservadas aos referidos profissionais da comunicação social para as dotar de melhores condições de trabalho, nomeadamente aumento da referida área. Não sabemos, porém, se tais melhoramentos decorrem da necessidade de fazer acompanhar os operadores de câmara de serviços de apoio, designadamente de videntes e de massagistas que auxiliem nos preliminares essenciais ao sucesso da sua tarefa - disparar a gravação no clímax do espectáculo - ou se são estratagemas do Alves-Negro para facturar mais uns milhares de euros aos media europeus, pouco conhecedores do significado da palavra choupana...

quinta-feira, agosto 06, 2009

sábado, agosto 01, 2009

O Quarto (do) Poder


A comunicação social é considerada o quarto poder, nos sistemas democráticos maduros, embora o poder tente transformá-la em quarto do poder...

O caso recente da tentativa governamental socrática de "ajudar" a TVI deu que falar e ainda bem, porque assim foi denunciada atempadamente a marosca e evitou-se a "domesticação" do referido canal televisivo. Deste triste episódio ficou claro que, afinal, quem precisa de ajuda é o (des)Governo. E quartos do poder há muitos, mas quarto poder em Portugal ainda há carências.

Pelo contrário, na Madeira, os mass media são tratados exemplarmente, o que demonstra que o povo superior tem uma comunicação social à sua altura. O caso da alegada concorrência desleal do JN para com o DN é paradigmático: se há um órgão de informação credível, respeitado e viável economicamente, há que intervir no órgão com dificuldades de aceitação no mercado, injectando dinheiros públicos no mesmo e passando-o a gratuito para que chegue a toda a população, por uma questão de salvaguarda do pluralismo da informação e dos postos de trabalho; se por consequência dessa intervenção o emprego e a viabilidade financeira do órgão de referência forem postos em causa, o problema é apenas dos proprietários do referido diário e da linha editorial seguida, que não teve o acolhimento da população.

Poucos serão os regimes ditos democráticos que tratam a sua comunicação social com tamanha elevação! Assim está assegurada a liberdade de expressão e o seu estatuto de quarto (do) poder. Ou será o primeiro poder? Como madeirense, sinto-me orgulhoso com o extraordinário tratamento que é dado aos mass media da minha terra...

quinta-feira, julho 16, 2009

Efeitos da Gripe A


Há evidentes sintomas que atestam a chegada em força do vírus H1N1 à Madeira. Apesar de apenas um caso ter sido confirmado oficialmente, temos vindo a assistir publicamente a atitudes e declarações que demonstram que há, de facto, muita gente importante a gripar, com a agravante de não haver no mercado quem os conserte.

O caso de gripe A mais preocupante é o do Cara Branca, cujos sintomas evidenciados a propósito da sua proposta de revisão constitucional deixaram as autoridades sanitárias nacionais deveras inquietas e até agastadas, como foi o caso do vigilante republicano, Estica Guedelha, que ameaçou assumir outra postura, ou seja, amuar para não ser contaminado pelo vírus H1N1.

O mais grave é que também ele já está doente e gripado, pois não consegue lembrar-se de outras maldades que fez aos madeirenses para além do polémico caso do jackpot dos partidos. Por exemplo, esqueceu-se dos seus vetos na área da Educação. Os médicos especialistas que a nossa reportagem contactou acham que esta situação do vigilante esticado não tem nada a ver com a amenese, mas sim com a referida gripe, provavelmente adquirida numa das suas habituais visitas à República. Já o vírus do Cara Branca terá sido apanhado nas visitas frequentes que faz às Bruxas.

Carlos Areeira e Rui Negro, respectivamente presidentes das Direcções do Clube dos Almirantes e do Clube do Chiqueiro, também apresentam sintomas de contaminação pelo referido vírus, segundo as nossas fontes. Os efeitos da doença são por todos conhecidos: prometem, no início da época desportiva, atacantes brasileiros com veia goleadora e grande margem de progressão, mas, depois, nada... Comenta-se que as constantes idas ao Brasil para observar potenciais atletas para ingressar nos respectivos clubes terão sido responsáveis pela contaminação pelo vírus.

Como esta doença ainda não tem vacina para a combater e não se perspectiva que tal ocorra no corrente ano, teme-se pela saúde pública, pois estas figuras vão continuar a exibir os efeitos da doença, sem nunca admitirem que são portadores delas.

Cuidem-se!...

segunda-feira, julho 06, 2009

Tourada de S. Vicente garante touro mediático


Fonte próxima da organização da anunciada tourada de S. Vicente confidenciou à nossa reportagem que garantiu a presença do touro mais mediático da actualidade neste evento. Trata-se do mundialmente conhecido Manel Leva-Na-Pinha da famosa Casa do Soco, onde também foi criado o George Rabbit, o tal que ameaçou que quem se metesse com essa gadaria apanharia...

Segundo a nossa fonte, não foi nada fácil conseguir trazer esse touro à Região, porque outros pretendentes meteram-se pelo meio e houve também outras vacarias a reclamar o direito de ser figura de cartaz.

A primeira dificuldade foi colocada pelo Jo Petardo, que tentou aliciar o referido animal, oferecendo-lhe um valor superior ao de Romeiro, simplesmente porque iria utilizá-lo não para touradas, mas para engrandecer a vaca Fundação, ou seja, "emprenhá-la" à custa dos preleminares efectuados na "rez" Governança.

Como se isso não bastasse, ainda surgiram outros touros a reclamar o direito de ser a atracção da tourada de S. Vicente, por serem os verdadeiros detentores dos famosos cornos que o Manel Leva-Na-Pinha ostenta, pois consideram que este exibe-os apenas por tentativa de imitação. Encontram-se nessa situação Chico Parte-Loiça e Arde-Só-Com-Ar, conhecidos pelos seus ataques ferozes aos forcados amadores da Governança.

Até o Cara Branca fez-se ao lugar ao criticar os cornos do Manel Leva-Na-Pinha, quando disse que eles não eram bem feitos, o que fez com que os seus adversários interpretassem esta tomada de posição como uma forma de passar a mensagem de que os seus chifres têm qualidade superior, logo merecedor de ser a grande atração da tourada vicentina.

Confrontado Joca Veia sobre esta intenção sub-reptícia do Cara Branca, este disse que não o chocava nada que ele fosse o touro principal da festa, porque ele já desempenha esse papel há muito tempo em todas as touradas da RAM. Mais acrescentou que, se isso se confirmasse, também ele iria tratar de assumir o papel de principal toureiro, pois considera que ele é a única alternativa possível, no plano regional, para derrotar esse touro temível... Aguardemos, pois, pela confirmação oficial das figuras de cartaz da tourada de S. Vicente.

segunda-feira, junho 29, 2009

A "Caloirada"


Que maravilha! Vamos ter festa rija nos próximos tempos. É a tão desejada "Caloirada", que será experimentada na Costa Norte, antes de ser aplicada no resto da ilha, daqui a quatro anos, segundo as convincentíssimas afirmações do Cara Branca.

O Romeiro algarvio, por excesso de entusiasmo ou por conhecimento adquirido de peregrinações eleitorais anteriores, classificou a praxe autárquica de tourada. Não será um espectáculo inédito na RAM, mas terá seguramente o mesmo sucesso que o circo dos elefantes montados pelo domador-mor dos madeirenses, a não ser que se passe da destruição de viaturas de candidatos à sua eliminação pura, dura e simples, em plena arena eleitoral. O abate do touro nestas condições agradaria ao Pa-Pa Deus e aos socialistas descontentes com a actual Direcção (ou falta dela) do Partido do Soco, porque assim, finalmente, ficariam livres do Jocaveia. Todos ficariam agradecidos à terapia eficaz utilizada pelo ilustre médico.

Mas a "Caloirada" inclui também outros espectáculos imperdíveis. Em Santana, Moisés vai fazer com que a montanha venha até ele, ou melhor, até um mascarado daqueles da Festa dos Compadres mas muito parecido com este caloiro e colocado no mar alto, para assim obrigar o Pico Ruivo, o Pico do Arieiro e a Penha D`Águia a se esticarem até ele, conseguindo assim tornar o relevo do concelho menos acidentado, logo mais propício ao incremento da agricultura e do turismo.

No outro concelho nortenho, as praxes serão também animadas, já que o caloiro escolhido pelo Cara Branca, pela sugestão do seu nome, é garantia de espectáculo para homens de barba rija, designadamente far-west, com armas tipo valter, e correadas a quem for demasiado seguidista da orientação partidária.

Dada a qualidade das praxes da "Caloirada", é de esperar muitos comas alcoólicos, veementes protestos das associações protectores dos direitos dos animais e da Igreja Católica, ofendida com a utilização abusiva do epsiódio biblico na campanha eleitoral. Isto promete!

segunda-feira, junho 22, 2009

Ainda as Europeias: PS-M ganha na Madeira


Passadas duas semanas sobre a data das Eleições Europeias, tempo mais que suficiente para efectuar uma avaliação rigorosa dos resultados eleitorais e das reacções aos mesmos, importa fazer a análise que ninguém teve coragem de referir publicamente até agora, a nível regional.

Todos os analistas referiram o estrondoso sucesso de Nuno Caxeira (PSD-M), nomeadamente pelo facto de lhe ter saído um autêntico euromilhões, já que passará a ganhar mais de 7.000 euros mensais.

Também reconheceram o relativo êxito de Lopes da Fonteseca (CDS/PP-M), excepto Zé Manel Rodriguinhos, que o ofuscou na noite eleitoral ao anunciar que será ele o cabeça-de-lista às Legislativas Nacionais.

Igualmente consideraram que a CDU e o BE obtiveram votações muito positivas, a ponto do Único Importante ter afirmado que o crescimento da extrema esquerda era uma ameaça à democracia. Como não disse a que país ou região se referia, deduzimos que se reportava à Bélgica, que é o país que conhece melhor, por lá passar imenso tempo. E como não podia estar a referir-se ao seu país e muito menos à sua região, onde a democracia é uma miragem...

Os 14,68% do PS-M foram, pelo contrário, classificados como desastrosos e prenunciadores de derrotas históricas nas próximas Legislativas Nacionais e Autárquicas. Nesta apreciação estiveram em sintonia comentadores políticos e opositores à liderança da actual Direcção socialista madeirense. Quem imaginaria que fosse possível esta comunhão de ideias? Habitualmente costuma acontecer o contrário, ou seja, fazedores de opinião de um lado e dirigentes socialistas do outro. Fazendo, porém, uma análise mais minuciosa aos argumentos apresentados pelos detractores de Jocaveia, conclui-se que esta convergência de opiniões resulta de um erro crasso de interpretação política dos resultados por parte dos contestatários socialistas, lapso esse que explica a aproximação de posições entre estes e a comunicação social madeirense, que cumpriu o seu papel habitual de manipulação dos números a favor da maioria.

Na verdade, o PS-M ganhou as eleições europeias na Madeira, porque a percentagem baixíssima de votos que obteve é um sintoma de que o desgaste do (des)Governo do engenhoso Sócorta também teve expressão na Madeira, o que pressagia uma mudança de cor na governação nacional, única garantia de crescimento dos socialistas madeirenses. É aqui, pois, que reside a vitória do PS-M nestas eleições, que será provavelmente confirmada nas Legislativas Nacionais. Aliás, Jocaveia, quando reafirmou na noite eleitoral que conta disputar as Legislativas Regionais de 2011 em pé de igualdade com o PSD-M, sem explicar como é que vai inverter a tendência decrescente das últimas votações, tinha seguramente em mente as vantagens, no plano regional, decorrentes do combate que o seu partido, a nível nacional, desencadeará contra um previsível governo liderado por Manela Ferra Sem Jeito. Já o Jota Serrote beneficiou imenso de uma conjuntura similar à que Jocaveia deseja, embora não o tenha admitido, o que o levou a não compreender o estrondoso terramoto eleitoral nas últimas Legislativas Regionais.

Tudo o que se tem visto em termos de combate interno à liderança de Jocaveia só vem reforçar a sua posição, porque quanto menor for a votação no PS-M, nos próximos dois actos eleitorais, maior será a margem de crecimento deste partido numa conjuntura de combate a governos laranja. Isto é, se ele conseguir segurar a liderança até 2011, mesmo que só ele e Gostinho Só-Ares votem no PS-M, basta conseguir mais dois votos para festejar um crescimento do partido na ordem dos 100%...

terça-feira, junho 16, 2009

A recuperação do tempo de serviço


Aconteceu o imprevisto. A maioria par(a)lamentar da ALRAM surpreendeu os docentes e demais trabalhadores da administração pública regional ao permitir a recuperação do tempo de serviço "congelado", contrariando todas as melhores expectativas.


Na sessão plenária de hoje, foi apresentada e apreciada a Petição do SPM por parte dos grupos parlamentares. Na ocasião, o deputado-quase-não-docente, George Moreia, apresentou a posição do seu partido, dizendo que este concordava em absoluto com a justíssima reivindicação apresentada, em sinal de gratidão pela votação expressiva na sua força política, nas Europeias, em que os professores e funcionários públicos seguiram o sentido de voto da população em geral. Mais acrescentou que o seu partido sempre foi pela recuperação do tempo passado, o tal do «quero, posso e mando», também conhecido como Estado Novo, que é o equivalente a Madeira Nova.


Lembrou ainda o referido amicíssimo dos trabalhadores da administração pública regional que a maioria par(a)lamentar é fã dos versos imortais de António Mourão «Ó tempo, volta para trás, traz-me tudo o que eu perdi...». Daí a sua solidariedade com os peticionários, mesmo que isso implique meter na gaveta a autonomia, classificada pelo referido tribuno, como mentalidade subversiva e perigosa.


Quanto à operacionalização da recuperação do referido tempo de serviço, o par(a)lamentar explicou que o Governo Reinol iria adquirir a Máquina do Tempo, tecnologia avançada e testada no cimema com resultados espantosos, que garante a obtenção do mesmo de forma imediata, sem ter que andar com faseamentos como se verifica na Região Atrasada dos Açores.


A oposição contestou esta decisão do Grupo Par(a)lamentar do Pa-Pa-Deus, como é seu timbre, alegando que tal decisão pode trazer problemas de intercomunicabilidade e orçamentais, difíceis de compreender em tempos de crise.


Migeleia Unha-de-Fome, o famoso jornalista que, na véspera, na televisão ajardinada havia manifestado opinião contrária à que foi tomada na Assembleia Arregimentada, ao tomar conhecimento da decisão da maioria quando cobria em directo a referida sessão plenária, disse em altos berros que lamentava o que ia afirmar - «é uma hipocrisia social, um egoísmo lamentável» - mas que podiam contar com a sua mudança de opinião e consequente pedido de desculpas na semena seguinte.


Quem não se fez rogado com tamanha prenda de bom comportamento foi o SPM, que estava concentrado no exterior do edifício da Assembleia, com milhares de docentes. Assim que tomaram conhecimento da decisão da maioria par(a)lamentar, aprovaram uma moção de apoio e decidiram dar conferências de imprensa para agradecer a boa vontade do Pa-Pa-Deus, durante o mesmo número de dias que recuperaram (28 meses)...

segunda-feira, junho 08, 2009

A noite de glória da Ludrinhas


Ela dormiu mal na noite que antecedia a grande consagração. Teve um pesadelo. Sonhou com o horticultor de oliveiras, em que este procurava demonstrar que o excelente resultado que o estudo de opinião da Eurosocrates previa para o PS se devia, segundo os inquiridos da amostra virtual, ao sucesso das políticas educativas. Como consequência, ela tinha que ir para o Parlamento Europeu, ao que ela se opunha, porque ainda tinha muito que fazer no seu M. E. (Máximo Engano). Como a discussão tivesse sido intensa, acordou a dar murros na parede, julgando que estava a atingir o referido especialista em sondas virtuais.

Quem a viu sair de casa, ao fim da tarde, toda perfumada, bem maquilada e exemplarmente bem vestida e calçada, não imaginava a má noite passada, antes antevia mais uma grande festa em que a vizinha iria deixar de lado o seu habitual aspecto pesado e carrancudo.

Passado, porém, algum tempo - o suficiente para ir votar e dirigir-se ao Hotel dos Momentos Altos - se a viram na reportagem televisiva, à entrada do local da grande consagração, certamente aperceberam-se da mudança de estado de espírito da Ludrinhas. De facto, foi como mudar do dia para a noite. Ao pedido de comentário dos jornalistas aos resultados da sondagem real, a trombuda festeira reage de forma ríspida: «Deixem-me passar!». E lá foi ela, toda arisca, para o interior do salão de festas exibir o seu estatuto de mulher respeitada e determinada, à imagem do seu protector, o engenhoso Socas.

Como nas Presidenciais, Ludrinhas teve um grande desgosto, quando lhe comunicaram que não havia motivos para festejar. Ainda procurou o horticultor de oliveiras para descarregar nele, como no pesadelo, toda a sua raiva, mas não o viu. Não lhe restou alternativa senão regressar a casa. Mas lá continuava o espectáculo inesquecível: num canal de televisão, o seu colega Santos Saliva era interpelado, em directo, perante todo o país, de forma humilhante:


- Então, sr. ministro, hoje está muito calado...


Ludrinhas não se conteve. Pegou num sapato e estilhaçou a televisão. Chorou durante muito tempo até adormecer. Voltou a sonhar, mas desta vez, talvez por sugestão da destruição em casa ou no país, o protagonista era um elefante a passear numa loja de cristais...

domingo, junho 07, 2009

Europeias: que grande pontapé!


O povo português deu um grande pontapé nas políticas desastrosas de Socas, nas Eleições Europeias de 7 de Junho. Agora percebe-se o porquê da não marcação de golos com o pé no jogo de ontem de Portugal frente à Albania: foi reservado para o monumental xuto no principal responsável pela má governação. Mas não foi só pontapé. Houve também muita cabeça neste jogo com três partes. Para já, no final da primeira parte, vence a (re)Vitalização da democracia portuguesa e a vontade de mudança de políticas.

As duas partes em falta - autárquicas e legislativas - ganharam outro interesse, depois das europeias, porque Socas, nas declarações à comunicação social, na hora em que finalmente desceu à terra, prometeu manter tudo como está em termos de governação. Nós, os docentes, também concordamos - apenas desta vez - que os tempos que antecedem as eleições legislativas não são propícios a mudanças de ministros e de políticas, muito menos na área da Educação.

Na verdade, seria uma chatice mudar a ministra da Educação para apenas ser outra cara mais simpática a nos desejar boas férias... Já agora, engenhoso Socas, deixe a pobre da Ludrinhas ir a votos, porque os docentes ainda terão força para lhe aplicar um pontapé idêntico ao das europeias.

Se para as legislativas anteriores o slogan de campanha era «Voltar a Acreditar», depois do resultado da parte jogada nestas Europeias, não há dúvida de que todos os portugueses têm razões acrescidas para voltar a acreditar na potência do seu remate... Não é por acaso que escolheram Eusébio e Ronaldo como seus reis...

sábado, junho 06, 2009

Concurso da RAM para Docentes


Aí está o famoso Concurso da RAM para docentes. Depois de um parto difícil, em que a parteira (ALRAM) e o poder supremo preferiram desafiar as leis da Natureza, finalmente os educadores e professores podem concorrer às míseras vagas disponibilizadas pela SREC, sem garantias de que os resultados finais sejam definitivos.

Lembramos que, devido ao desentendimento entre o republicano Diniz - parece este também querer ficar na história não por razões de lavoura como o seu homónimo monarca mas por motivos de loucura jurídico-constitucional - e a parturiente (PSD-M), poderemos, daqui a alguns anos, concluir que tudo isto foi mais uma brincadeira de mau gosto dos decisores políticos, cujas consequências nos inocentes, vulgo docentes, poderão ter repercussões graves. Nessa altura, esperemos que não assobiem para o lado.

Se é masoquista, saiba como concorrer em:




sexta-feira, junho 05, 2009

Europeísmo anima docentes portugueses


As eleições europeias do próximo dia 7 têm servido para a classe docente portuguesa conhecer melhor a realidade profissional dos colegas europeus. Claro que não tem sido a Campanha eleitoral que lhes tem proporcionado esse conhecimento, porque ela tem servido essencialmente para debater a política interna, já que é inevitável o ajuste de contas com a governação nacional já neste acto eleitoral. O que tem levado os educadores e professores amicíssimos de Maria Lurdes Rodrigues a tomarem conhecimento da forma como os seus homólogos europeus são tratados pelos respectivos governos é apenas o desejo de se exilarem, a sua ânsia de encontrarem uma solução que os dignifique e valorize profissionalmente, mesmo que isso implique ter que abandonar a Pátria. Se os eurodeputados abandonam o país, então, os docentes também acham que o podem fazer sem grandes problemas de consciência patriótica, porque mais do que portugueses são europeus como os tais eleitos.

A decisão de optar pelo estrangeiro ganha força, sobretudo quando descobrem que até os nossos históricos inimigos daqui do lado, os tais que não tinham consideração pela lusitana gente, do tal sítio donde não vem «nem bom vento nem bom casamento» conseguiram prestar uma homenagem digna aos docentes espanhóis como podemos ver em:




Afinal, a Europa está tão perto e tão longe dos portugueses...

quinta-feira, junho 04, 2009

A intolerância de ponte


Há coisas que não lembram ao Diabo. Então não é que querem impor aos educadores de infância a tolerância de ponto no próximo dia 12, como acontecerá com todos os funcionários públicos?! Os briosos profissionais da Educação ficaram indignados com tamanha intolerância de ponte e solicitaram a intervenção do seu sindicato, pois não aceitam ser dispensados em mais um dia de trabalho, já que sabem que nesta data a função social que prestam às famílias que têm crianças nos jardins de infância e creches será ainda mais requisitada do que habitualmente. Para além das funções de educadores, contam prestar serviços de assistência social, de psicologia, de enfermagem, de medicina e de autênticos pais e mães, uma vez que os verdadeiros estarão muito ocupados com a praia, as compras, o cabeleireiro, o cinema, as almoçaradas,... Atendendo a este volume de serviço previsível, opõem-se ao presente envenenado que o Governo Regional lhes pretende proporcionar, pois receiam que esse dia pode ser mais uma ponte para a desvalorização da sua função, logo para a sua dispensa.

Os lesados, através da sua organização de classe, recorreram à providência divina, figura jurídica habitualmente usada com sucesso na Madeira quando se pretende contestar as decisões do todo poderoso Aberto-Não-Ao-Fim.

Segundo uma informação de última hora, os cerca de 200 educadores tencionam marcar uma reunião com Francisco Cervantes para o sensibilizar para a sua causa, recorrendo ao argumento de que por cada dia sem lerem as histórias infantis dele equivalerá a menos vendas das mesmas, logo a mais um contributo para agravar a crise.

terça-feira, junho 02, 2009

Planos de Recuperação para o Governo


O inefável Secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, anunciou que os Planos de Recuperação para alunos com dificuldades serão alargados ao Secundário, como espécie de milagre pedagógico para garantir aproveitamento escolar a quem, em condições normais, dificilmente transitaria.

Esta medida decorre do alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12.º ano e servirá para mascarar as estatísticas oficiais, permitindo a Portugal apresentar-se como um aluno de sucesso no contexto europeu. Pouco importará se os resultados correspondam efectivamente a competências efectivamente adquiridas. O importante será passar, passar e passar para ficar bem na fotografia. O resto é conversa.

Quem não está pelos ajustes é a classe docente, que começa também a pensar em solicitar Planos de Recuperação para si própria, ou seja, quer também merecer uma atenção especial por forma a recuperar do estado de desânimo, de revolta e de cansaço em que se encontra, devido às políticas educativas infelizes que os sucessivos governos, e em especial o actual, têm vindo a implementar.

Muitos dos docentes que actualmente aplicam Planos de Recuperação aos seus alunos, perante a possibilidade de os estender ao Secundário, ficaram em estado de choque. É que andar à procura de melhorias e progressos em alunos que não querem nada com a escola, por mais que se tente motivá-los, é tão inglório como convencer Maria Lurdes Rodrigues do fracasso das suas medidas governativas. Aliás, tanto para alunos desmotivadas como para este Governo não há Planos de Recuperação que os salve. Para bem deles e de todos nós, a única solução é aplicar a receita daquela figura cómica de «Os Contemporâneos»:


- Vão mas é trabalhar!


E os docentes acrescentam:


- ...para o mais longe possível da Educação!


Manter nas escolas secundárias alunos que não querem trabalhar é o mesmo que renovar o mandato governamental deste Governo: só vão estragar o pouco de bom que ainda resta!

Confirma-se perigo de partidarização do SPM


A questão da partidarização do Sindicato dos Professores da Madeira, um dos temas mais polémicos da campanha eleitoral para os corpos gerentes da maior organização de classe dos docentes que exercem funções na RAM, afinal fazia todo o sentido, tendo em conta dados recentemente tornados públicos em que se prova que há ligações "perigosas" entre a candidatura socialista ao Parlamento Europeu e a actual Direcção do SPM.

Na verdade, na edicação de 26 do Maio do DIÁRIO, a notícia que aborda os nomes indicados pelo PS-M para a Comissão de Honra Nacional das "europeias", faz-se referência a duas figuras que integraram o projecto de continuidade encabeçado por Marília Azevedo. Referimo-nos a Humberto Fournier (músico), actual dirigente do SPM, e Adília Andrade, referenciada por Maria Adília Melo e apoiante assumida da actual Direcção, como se pode verificar na transcrição abaixo:


«A lista de elementos da comissão de honra também inclui elementos ligados à cultura, como Humberto Fournier (músico). Completam a lista Francisco Ribeiro (oficial de operações portuárias), João Bosco (médico), João Evangelista (empresário), Manuel Lira Caldeira (funcionário de finanças), Maria Adília Melo (professora), Paulo Santos (enfermeiro) e Pedro Costa Neves (médico).»


Esta notícia surpreendente demonstra que a "carapuça" do pergigo de partidarização que Marília Azevedo acusou a lista B de enfiar, perante as insinuações lançadas pela sua candidatura, corresponde, de facto, a uma precipitação de interpretação por parte dos seus opositores. Agora, ficámos a saber que a inistência dela na independência do SPM não era um recado para a lista B, mas tão-só um aviso para dentro da sua própria equipa como se constata.

Havia, de facto, razões para Marília Azevedo temer pela partidarização do SPM, ainda por cima quando tal decorre do apoio a Vital Moreira, figura muito contestada pelos docentes, devido a um conjunto de ideias polémicas que alegadamente defendeu contra estes, destacando-se as seguintes:


- Que não existe qualquer razão para que os professores não sejam avaliados para efeitos de progressão na carreira;


- Que os professores não gozam de direito de veto em relação às leis do país, nem podem auto-isentarem-se do seu cumprimento, pelo que não é aceitável qualquer posição que implique resistência à aplicação do actual modelo de avaliação;


- Que o governo não pode ceder às exigências dos professores, devendo antes abrir processos disciplinares a todos aqueles que ponham em causa a concretização da avaliação dos docentes tal como foi congeminada pelo Ministério da Educação;


- Que o governo, na batalha contra os professores, deve esforçar-se por chamar a si a opinião pública, isolando, desta forma, a classe docente.


Realmente, era caso para tamanho alarido...


domingo, maio 31, 2009

Sócrates impede SPM de ir à Manif


O Sindicato dos Professores da Madeira foi impedido de estar presente na gradiosa manifestação que a Plataforma Sindical Nacional promoveu no dia 30, em Lisboa, alegadamente por intervenção de José Sócrates, o Primeiro de Portugal.

A Coordenadora do SPM, Marília Azevedo, surpreendeu tudo e todos quando disse à RTP/Madeira (http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=21106&idpod=25871&formato=wmv&pag=recentes&escolha) que não foi possível participar na referida jornada de luta «por motivos de ordem logística». Como não quero acreditar que o "rosto" do meu Sindicato mente descaradamente - e até é mais fácil e lógico seguir essa linha de raciocínio, sabido que ilustres convidados como Mário Nogueira (FENPROF) e Armando Dutra (Sindicato dos Professores da Região Açores) que estiveram na tomada de posse dos corpos gerentes na véspera conseguiram viajar para Lisboa a tempo de participar na manifestação - resolvi fazer uma investigação aprofundada sobre as verdadeiras razões que a levaram a fazer essa declaração politicamente correcta, em vez de dizer o que de facto se passou.

Assim, segundo fontes muito próximas do Primeiro-Ministro e com quem temos relações privilegiadas, como foi público recentemente, garantiram à Paródia Madeirense que foram efectivamente «motivos de ordem logística» que impediram a deslocação a Lisboa de uma comitiva simbólica do SPM para representar os docentes madeirenses na tal iniciativa sindical. Na verdade, na referência à «logística» está subjacente a intervenção da Grande Loja Nacional Portuguesa, Maçonaria Tradicional, que, como podemos ver na sua página em http://www.glnp.pt/, recebeu recentemente Jaime Gama, tendo este na oportunidade alertado para a necessidade de impedir a presença de sindicalistas madeirenses na tal manif, porque governantes madeirenses lhe tinham confidenciado na longa viagem às Selvagens da semana passada que eles estavam apenas mobilizados contra as políticas do Ministério da Educação, o que foi confirmado nas intervenções da referida sessão solene, razão pela qual poderiam criar muita agitação e perturbação da ordem pública em Lisboa.

É claro que Jaime Gama não agiu sozinho. Primeiramente alertou Sócrates, que já tinha sentido na pele e nos ouvidos os protestos dos referidos sindicalistas, aquando da recepção que lhe foi dedicada na penúltima vinda à Madeira. Receando desta vez ter que tomar medidas drásticas como a que Marília Azevedo havia sugerido em véspera da visita oficial do Primeiro-Ministro à RAM - a prisão - decidiram os referidos ilustres socialistas cortar o mal pela raiz, através da intervenção da referida loja maçónica, que comprou todos os bilhetes de avião disponíveis entre a Madeira e Lisboa para o dia 30.

Está assim explicado por que razão Marília Azevedo falou verdade a mentir, como diria Almeida Garrett...

sábado, maio 30, 2009

Fedor de Ricardo Araújo Pereira na Madeira


O maior símbolo nacional da actualidade na área humorística, Ricardo Araújo Pereira, imortalizado na série televisiva «Gato Fedorento» deu uma entrevista interessante ao DIÁRIO, onde o seu fedor está bem patente, na abordagem à actualidade madeirense. A não perder em:


quinta-feira, maio 28, 2009

A utilidade das leis inúteis


Há leis que são produzidas, aprovadas e publicadas apenas porque sim, ou seja, são manifestamente inúteis, não acrescentam nada ao edifício jurídico, são redundantes, já que se limitam a reproduzir o que está consagrado noutros diplomas legais. Mas têm utilidade. Servem para as bancadas parlamentares mostrarem trabalho, agradarem a certas franjas da sociedade e, consequentemente, receberem a chatice da renovação do mandato dos deputados no Parlamento... Isto tudo, apesar do incómodo que é para os jusristas ter que conhecer novas leis, decretos-lei e decretos regulamentares, mesmo que isso contribua para os jovens formados em Direito conseguirem arranjar trabalho, desculpem, emprego...

Isto tudo vem a propósito da Lei n.º 23/2009 de 21 de Maio, a tal que diz que consagra a garantia de intercomunicabilidade entre os docentes provenientes das Regiões Autónomas com o restante território nacional, que muito boa gente já tinha esquecido que havia sido assegurada pelo Decreto-Lei n.º 104/2008 e pelo Decreto Regulamentar n.º 3/2008. Costuma-se dizer que, depois de tanto falarem em intercomunicabilidade e de tanto penalizarem os docentes que exercem funções na RAM em nome da salvaguada da dita cuja, «não há fome que não acabe em fartura»...

O engraçado desta febre de produção legislativa, por acaso em ano eleitoral, para além da canseira que causou aos atarefadíssimos parlamentares nacionais, é que vai ter uma utilidade inusitada. Quando a Assembleia Legislativa da RAM discutir em plenário o Relatório da Comissão de Educação sobre a petição que o SPM apresentou para que sejam desencadeadas iniciativas legislativas conducentes à recuperação do tempo de serviço "congelado", a maioria parlamentar já não pode fundamentar o seu voto desfavorável alegando questões de intercomunicabilidade, porque ela está garantida, com todas as letras, na referida lei. Com esta partida, não contava o PSD/Madeira, que também esteve de acordo com este diploma. Que vai inventar, então, desta vez a maioria parlamentar? Sempre pode socorrer-se do perigo dos Raios UVA, da Gripe Suína, do preço elevado das viagens aéreas entre a Madeira e o Continente... Enfim, uma panóplia de argumentos que merecerão o aplauso incontido de todos os trabalhadores da administração pública regional. Talvez por recear que tamanho apoio possa desequilibrar em demasia o resultado das eleições europeias, esse debate foi agendado para depois da realização das mesmas.

E ainda há quem fale em leis inúteis!...

quinta-feira, maio 21, 2009

Brincar aos Representantes da República


Há brincadeiras e brincadeiras. Uma coisa é o Presidente do Governo Regional da Madeira, dr. Alberto João Jardim, acordar bem disposto e prometer que vai receber bem o Primeiro Ministro, eng. José Sócrates, e, concluída a visita oficial, depois de uma noite mal dormida, dizer "cobras e lagartos" do referido vendedor de "banha-de-cobra", vulgo Magalhães. Outra coisa é a República Portuguesa mandar um seu Representante para cada Região Autónoma com a missão de aferir da constitucionalidade da legislação que cada parlamento regional produz e as suas decisões sobre matérias idênticas serem completamente diferentes. Provavelmente representam repúblicas distintas: o que está nos Açores deixa passar tudo, logo deve pertencer a algum estado acabado de nascer, pois não deve ter ainda Constituição aprovada; Monteiro Diniz, o que está na Madeira, pelo contrário, não deixa passar nada, como se os decretos legislativos da ALRAM fossem produzidos por uma cambada de incompetetentes de um colónia africana qualquer...
Os exemplos são mais que muitos, mas apenas vou referir os mais recentes, para a área educativa:

- estatutos de carreira docente: nos Açores passou tudo à primeira e até já houve uma revisão global que não mereceu qualquer reparo enquanto o da Madeira foi devolvido à ALRAM, antes da pormulgação, o que obrigou ao agravamento do seu conteúdo;

- adaptação da lei 12-A (vínculos, carreiras e remunerações): na outra Região foi promulgada uma versão semelhante à que, na RAM, o Representante da República tem dúvidas e, por conseguinte, vai mandar o Tribunal Constitucional verificar a sua legalidade;

- concursos regionais para docentes: na Região de Carlos César, tudo decorre dentro da normalidade jurídico-constitucional enquanto na Madeira, uma vez mais, Monteiro Diniz devolve o decreto legislativo regional e ameaça com a fiscalização do Tribunal Constitucional.

Como se estes exemplos não fossem suficientes para, no mínimo, o Presidente da República chamar os Representantes e fiscalizar ele próprio a Constituição que eles usam e abusam no exercício da função, ainda há umas criaturas de Deus que também fazem questão de aumentar este leque de brincadeiras. São os que consideram, sem saber a posição do Representante da República para a Madeira, que a recuperação do tempo de serviço "congelado" também é inconstitucional. Nos Açores, como sabemos, ela decorre sem sobressaltos, mas aqui não pode ser, porque a República, pelos vistos, não é a mesma...
Merece também figurar neste rol de brincadeiras de gente crescida a analogia que o deputado-quase-não-professor Jorge Moreira fez entre a repetição das eleições para os órgãos de gestão das escolas da RAM e a previsível aplicação da eventual decisão do Tribunal Constitucional relativamente ao Concurso de docentes. Para ele, que está no fim da carreira, tudo é fácil e simples. Julga ele que repetir uma eleição para desempenhar funções de gestão é o mesmo que tomar uma decisão quanto ao local e escola onde leccionar. Fala-se assim quando referimo-nos aos outros. Se estivesse em causa o seu futuro profissional, certamente a música era outra.
Como madeirense, em primeiro lugar, e como português, em segundo, fico baralhado com esta brincadeira dos Representantes e quejandos e questiono-me: que república efectivamente representam José António Mesquita e Monteiro Diniz? Não é a da Cortiça, nem a das Bananas e muito menos a dos Ananazes. A minha não é seguramente, logo sinto-me duplamente mal representado, porque não vejo os meus direitos autonómicos salvaguardados, por um lado, e não noto que a pátria portuguesa esteja minimamente preocupada em fazer cumprir e respeitar a Constituição no todo nacional, embora salvaguardando as especificidades autonómicas, por outro.
Que fazer, então? Dos decisores políticos e, em especial, do Presidente da República, não espero nada. Eles também entram na brincadeira da representatividade de coisa nenhuma. Não representam os portugueses nem a pátria, irremediavelmente cada vez mais reduzida à Língua Portuguesa, como afirmou Fernando Pessoa.
Talvez por isso, o Representante da República para os Açores tenha optado por representar a República da «Pulga Violeta», a avaliar pelo destaque dado a essa banda desenhada na sua página electrónica (www.representantedarepublica-acores.pt).



Apresentação


Segundo um docente da UMa, a blogosfera madeirense é muito "careta", aborda questões demasiado sérias como as politiquices do burgo.

Para tentar animar um pouco isto, resolvi, então, criar um blogue diferente, em que se vai tentar parodiar o quotidiano como exercício libertador de energias positivas, essenciais à salvaguarda da nossa sanidade mental, numa época em que a ironia fina, o humor inteligente e a piada oportuna são substituídos pelo discurso pessimista, fatalista e derrotista.

Isto já não vai com tiradas sérias e registos discursivos muito elaborados. Isso é demasiado enfadonho e dá muito trabalho para tão pouca eficácia... a avaliar pela persistência dos problemas.

Já Gil Vicente, através da máxima «ridendo castigat mores», se tinha apercebido das virtudes da paródia. É esse, em suma, o propósito deste blogue: a brincar, recorrendo a rábulas de conteúdo totalmente ficcional, vamos identificar os "podres" da nossa sociedade. Pelo riso vamos libertar a nossa alma e contribuir para uma reflexão suave e divertida em torno dos problemas de hoje. Dela resultará, por conseguinte, a correcção das suas causas. E, se o resultado for nulo, então estaremos, de facto, na presença de um povo indiferente à sátira e à crítica, ou seja, um povo superior...