terça-feira, outubro 27, 2009

A polémica do Ca(n)im


Ainda não chegou o S. Martinho - data assinalada para provar o vinho novo - e já é grande a polémica em torno da colheita mais recente de José Saramago. Referimo-nos ao inebriante e polémico Ca(n)im, o divinal néctar que exorbita paixões, fundamentalismos e intolerâncias que julgávamos já ultrapassados, sobretudo, desde que foram colocadas no mercado as reservas O Memorial do Convento e O Evangelho Segundo Jesus Cristo do referido produtor. Ainda bem! Os excessos de linguagem e fanatismo sempre contribuem para a animação do panorama cultural português e para o debate dos temas religiosos, inquestionáveis à luz da fé cristã. Só um bom Cunningham (Canim) é capaz de tamanha façanha, a sua aparência de "pomada" leve, clara, quase transparente, faz com que os desprevenidos não se apercebam da energia nele contida.

Como consequência, assistimos a hilariantes comentários de insuspeitas autoridades na matéria, que confessam que ainda não o provaram, mas já o classificam negativamente... Foi o caso do eurodeputado do PSD, Mário David, que exortou Saramago a renunciar à nacionalidade portuguesa, por alegadamente ter ofendido a cultura portuguesa com declarações contundentes acerca da Bíblia, classificada como «um manual de maus costumes». Imaginem o que diria o referido parlamentar, se tivesse consumido o referido néctar na totalidade... Provavelmente, mandá-lo-ia para a fogueira, como nos tristes e horrorosos tempos da Inquisição. Somos um povo que não considera devidamente os seus génios: deixámos Camões, Bocage e Almeida Garrett na miséria, por exemplo. A Saramago está reservado outro fim, porque, felizmente, os seus créditos são reconhecidos internacionalmente. Caso contrário, os Cains deste país encarregar-se-iam de o eliminar, qual Abel mal amado... E não seria pela disputa da única mulher e mãe então sobre a face da terra - Eva...

Nada melhor do que provarmos um pouco do polémico Ca(n)im, para nos animarmos e esquecer os disparates da intolerância nacional. Vejamos o seguinte excerto:


«Além disso, convém lembrar que adão viveu até aos novecentos e trinta anos, pouco lhe faltando, portanto, para morrer afogado no dilúvio universal, pois finou-se em dias da vida de lamec, o pai de noé, futuro construtor da arca. Logo, teve tempo e vagar para fazer os filhos que fez e muitos mais se estivesse para aí virado. Como já dissemos, o segundo, o que viria depois de caim, foi abel, um moço aloirado, de boa figura, que, depois de ter sido objecto das melhores provas de estima do senhor, acabou da pior forma.» (Pág. 16).


terça-feira, outubro 13, 2009

A F(r)actura


Que chatice! Voltámos à pasmaceira, àquela aparente normalidade pós-eleitoral, em que nada de especialmente divertido acontece. Ai que saudades vou ter deste ciclo eleitoral interminável com três votações (ou terão sido quatro?!...), precedidas de grandes espectáculos circenses, touradas e boxe nas inaugurações! Pode ser que a eleição do Gil Canhão Anti-Corrupção nos garanta mais alguns momentos hilariantes com a detonação de explosivos nos gabinetes da "rataria" da Central de Favores...

O rescaldo ao último acto eleitoral também é capaz de nos entreter um pouco. Aguarda-se, por exemplo, pelo Post-Scriptum do Cara Branca no seu pasquim, onde previsivelmente vai apresentar outra f(r)actura, desta feita ao seu Chico Esperto, por ter ido para a televisão em vésperas de eleições (8/10) anunciar que tinha proposto ao Governo da República a equiparação ao Concurso a Professor Titular da prova madeirense de acesso ao 6.º escalão (http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=15790&idpod=30488&formato=wmv&pag=recentes&escolha), o que terá desencadeado uma fuga para as suas terras de origem dos docentes continentais a exercer funções na RAM. O DIÁRIO de hoje fala em mais de 2.000 fugitivos, situação previsível, atendendo a que haviam saído de lá, precisamente, por não concordarem com essa divisão entre Professores e Professores Titulares. Como esse problema vai ser resolvido no espaço nacional, se os partidos da oposição - maioritários na Assembleia da República - cumprirem com o que prometeram na campanha eleitoral, não poderiam ficar na Madeira a assistir a declarações como a do Chico Esperto, já que poderiam correr o risco de ser Titulares à força... Urra! Cruzes! Credo!

Interessante será também vermos como vai a Amarela Azeda reagir a estas questões da f(r)actura, agora que já pode exprimir-se publicamente sobre estas matérias, uma vez que já não estamos em vésperas de eleições...

terça-feira, setembro 29, 2009

A(s) Dama(s) do Presidente


O sr. Presidente do Governo Regional da Madeira, dr. Alberto João Jardim, continua a divertir a malta como poucos políticos portugueses. O pessoal diverte-se, mas não sabe se ele está a dizer a verdade ou se, simplesmente, nos está a dar música.

Hoje, no Jornal da Madeira, mais precisamente no final do seu artigo de opinião - http://www.jornaldamadeira.pt/not2008.php?Seccao=12&id=134563&data=2009-09-29 - no postscriptum 2, refere-se à Coordenadora do SPM, a professora Marília Azevedo, como sendo simplesmente uma D. e uma Dama, a quem recomenda que «não se esqueça de quem a ajudou a ganhar o dito Sindicato!».

Esta forma de tratamento é engraçada, porque encaixa perfeitamente no léxico do jogo de damas, na tal arte de pôr e dispor no tabuleiro as pedras conforme a conveniência do jogador. Daí o emprego da locução temporal «por enquanto», quando se refere ao cargo que Marília Azevedo exerce no SPM, identificado como «presidente de um dos Sindicatos de Professores». O tom de brincadeira está lá bem patente nesta linguagem, já que insinua que ele também vota nas eleições para os corpos gerentes das D. e das damas... Isto faz-nos rir às gargalhadas! O homem é, de facto, um grande humorista!

Esta anedota de que Marília Azevedo foi ajudada por ele nas eleições do SPM só nos faz lembrar os receios que ela manifestou durante a campanha eleitoral interna quanto aos perigos de partidarização do maior sindicato de professores da RAM. Só mesmo num contexto humorístico, portanto, é que podemos aceitar estas revelações de ingerência de entidades exteriores no referido acto eleitoral.

Como não se joga damas apenas com uma pedra, ficamos à espera da revelação dos nomes de outras delas por parte do sr. Presidente, designadamente em relação à Madame e à Dama-de-Honor. Quando tal acontecer, será gargalhada geral!

terça-feira, setembro 22, 2009

O meu voto nas Legislativas 2009


Como português, cidadão responsável e professor, no próximo dia 27, voto PS, porque sou masoquista, logo preciso de governos e ministras como Maria Lurdes Rodrigues, que me ponham a contar os anos que faltam para a aposentação. Para além disso, não há como um Pinócrates para nos entreter no exercício de tentar adivinhar se o que ele diz é de acreditar ou não...
Também vou votar no PSD, porque tenho a memória curta, já não me lembro do desempenho de Manuela Ferreira Leite enquanto ministra da Educação e das Finanças. Eu até já não me lembro da cara de trovões com que ela aparecia em público, até ao arranque da presente campanha eleitoral. Como se isso não bastasse, os docentes têm garantias de recuperação do tempo de serviço "congelado", porque essa matéria não consta do manifesto eleitoral, o que significa, segundo a explicação da referida líder, que não vai mexer nessa situação, ou seja, fica como está...
Voto no CDS-PP, porque concordo com a avaliação externa do desempenho docente, já que é a única maneira de acabar com o clima de desconfiança e de mal-estar que a avaliação interna está a causar nas escolas.
Voto igualmente no BE, porque será a bengalinha que o PS precisa para governar.
Voto ainda no MPT, porque sei que também poderá ser útil à maioria parlamentar social-democrata, em caso de vitória nestas eleições, pois integrou a bancada do PSD na Assembleia da República na legislatura que agora termina.
Voto, por fim, no PND, porque nada melhor para o eleitor do que votar num partido que, ideologicamente, tanto é de esquerda como de direita.
Não voto, seguramente, na CDU, porque sou um anti-comunista primário, logo temo que Isabel Cardoso, ao ser eleita para a Assembleia da República, deixe de comer criancinhas ao pequeno almoço, nas escolas da RAM. Como se isso não bastasse, temo que a referida cabeça-de-lista, uma vez eleita, deixe de defender os professores e educadores para dar uma ajudinha ao Governo da República como é apanágio desta força partidária.
E ainda dizem que o voto é secreto...

segunda-feira, setembro 07, 2009

A rapidinha do Alves-Negro


Há umas criaturas que gostam de animar a malta com as suas originalidades inimagináveis. É o caso do Alves-Negro, quando autoriza apenas três minutos de captura de imagens às estações de televisão, nos jogos da Liga Portuguesa que se realizem no Estádio da Madeira.

Trata-se da rapidinha mais falada nos últimos tempos. Há quem a apelide de "Rapidinha à Fugitivo". Na verdade, só um operador de câmara genial e com muito potencial é que consegue fazer o referido servicinho em tão pouco tempo, sem deixar de filmar todas as bolas que entrem no tal sítio com redes... A eles é exigido ainda outra faculdade: capacidade de adivinhação do momento exacto da consumação do pazer supremo dos goleadores por forma a virem de lá para os estúdios com os momentos apoteóticos - se os houver - gravados.

Decorrem, entretanto, obras nas instalações reservadas aos referidos profissionais da comunicação social para as dotar de melhores condições de trabalho, nomeadamente aumento da referida área. Não sabemos, porém, se tais melhoramentos decorrem da necessidade de fazer acompanhar os operadores de câmara de serviços de apoio, designadamente de videntes e de massagistas que auxiliem nos preliminares essenciais ao sucesso da sua tarefa - disparar a gravação no clímax do espectáculo - ou se são estratagemas do Alves-Negro para facturar mais uns milhares de euros aos media europeus, pouco conhecedores do significado da palavra choupana...

quarta-feira, agosto 26, 2009

quinta-feira, agosto 06, 2009